É... Não teve jeito mesmo...
Hoje eu resolvi mexer mais um pouco no Orient azul. Mas o que eu temia mostrou-se real: é inviável tentar consertar.
A engrenagem da minuteria está com o eixo torto, faltam dois rubis e o balanço já teve melhores dias...
Definitivamente, foi "promovido" a doador de peças.
Até a próxima
PS.: hoje a noite eu vou trabalhar um pouco com cutelaria. Quem sabe amanhã não tenho novidades...
Mais um Orient. Este vai dar trabalho...
Comecei hoje mais uma restauração. É outro Orient, este produzido na Zona Franca de Manaus, e bem mais recente que o outro que reformei estes dias atrás.
Só que este vai dar bastante trabalho... Como o mostrador estava com os pinos de fixação quebrados, algum pseudo-relojoeiro simplesmente colou o mostrador na máquina. Sem falar que deve ter "mergulhado" a máquina em óleo de motor, pois está uma melequeira de dar medo!
Vou aproveitar que vai demorar mesmo, e vou fotografar todo o processo, passo-a-passo, até que o relógio fique pronto.
Primeiras fotos:







Felizmente encontrei na minha "sucatinha" os componentes necessários para substituir os danificados. Só o disco de dia de semana que terei que procurar outro, pois este que arrumei não é compatível. Uma pena, pois achei ele interessante, apesar de ser do tipo bilingue, está somente em espanhol, diferindo apenas nas letras grandes e pequenas...

Vamos ver agora se não aparecem mais problemas durante a restauração (não duvido nada...).
Um abraço, e até a próxima
Só que este vai dar bastante trabalho... Como o mostrador estava com os pinos de fixação quebrados, algum pseudo-relojoeiro simplesmente colou o mostrador na máquina. Sem falar que deve ter "mergulhado" a máquina em óleo de motor, pois está uma melequeira de dar medo!
Vou aproveitar que vai demorar mesmo, e vou fotografar todo o processo, passo-a-passo, até que o relógio fique pronto.
Primeiras fotos:







Felizmente encontrei na minha "sucatinha" os componentes necessários para substituir os danificados. Só o disco de dia de semana que terei que procurar outro, pois este que arrumei não é compatível. Uma pena, pois achei ele interessante, apesar de ser do tipo bilingue, está somente em espanhol, diferindo apenas nas letras grandes e pequenas...

Vamos ver agora se não aparecem mais problemas durante a restauração (não duvido nada...).
Um abraço, e até a próxima
Restauração - Seiko 6119
Um pouco de teoria - Aços
O aço é uma liga de ferro e carbono, sendo que na grande maioria dos casos são acrescentados a esta liga diversos outros elementos (níquel, cromo, vanádio, tungstênio, etc.) para lhes conferir características especiais.
Os aços se dividem basicamente em 3 grandes grupos: austeníticos, ferríticos e martensíticos.
Austeníticos: sua principal característica é a grande concentração de níquel na liga, o que lhes confere a característica de serem amagnéticos (não são atraídos por imãs). Apresentam uma grande resistência à corrosão e são o tipo de aço mais utilizado nos dias de hoje, principalmente nas áreas alimentares e médicas. Não são temperáveis, sendo seu endurecimento conseguido apenas por encruamento (compactação do material). Em cutelaria podem ser utilizados em guardas e pomos, porém o seu uso em lâminas não é aconselhado devido a baixa dureza. Mesmo assim, podem ser encontrados em talheres de baixa qualidade. O mais popular destes aços é o AISI 304 (18%Cr-8%Ni).
Ferríticos: são essencialmente ligas de ferro e cromo. Sua resistência a corrosão é inferior a dos austeníticos, porém devido ao fato de não possuírem níquel na liga, são de produção bem mais barata. A sua ductibilidade (capacidade de se deformar) é bastante baixa, e por isto, na grande maioria das ligas é utilizado um teor de carbono muito baixo, buscando com isto aumentar um pouco esta ductibilidade. A porcentagem de carbono destes aços são normalmente inferiores 0,20%, o que não permite a criação de martensita durante tratamento térmico e, consequentemente, não permite que sejam temperados. Seus usos mais comuns são: depósitos para produtos corrosivos, utensílios de cozinha (não cortantes), componentes de fornos, etc.
Martensíticos: possuem em sua liga um percentual de carbono superior a 0,20%, e quando submetidos a tratamento térmico adequado formam martensita, um tipo de cristal de alta dureza. São os aços temperáveis (endurecíveis por choque térmico). São estes os aços utilizados em cutelaria.
Podemos dividir os aços de cutelaria (martensíticos) em duas categorias principais: ao carbono e inoxidáveis. Os inoxidáveis são aqueles que apresentam uma taxa de cromo na liga superior a 12%. Conheço muito pouco sobre estes aços, apenas que seu tratamento térmico é complexo demais para ser executado por um amador. Devido a isto, vou me concentrar nos aços "ao carbono".
Os aços "ao carbono", ou simplesmente "aços carbono", podem se apresentar tanto em ligas bastante simples, apenas de ferro e carbono com simples traços de outros elementos, quanto em ligas extremamente complexas, com diversos elementos exóticos que lhes conferem características específicas.
Uma tabela dos principais aços (fonte: Wikipédia):
SAE 1XXX – aço-Carbono
Na cutelaria artesanal, os aços mais utilizados são os 1075, 1095, 5160, 52100, 15N20, VC131, entre vários outros. Eu utilizo principalmente o aço 52100, e em menor quantidade o 5160. Raramente me utilizo também do aço 1095.
O aço 5160 é considerado por muitos como o aço ideal para cuteleiros iniciantes. Tolera, até certo ponto, erros de temperatura (forjar com o aço muito frio ou muito quente); é bastante maleável mesmo com temperatura baixa; quando corretamente recozido é bastante fácil de desbastar; apresenta grande flexibilidade (a sua principal utilização é em molas de automóveis...); quando corretamente temperado apresenta uma retenção de fio muito boa; e o principal, é muito barato...
Já o 52100, cuja utilização principal na indústria é na fabricação de rolamentos, é um aço de grande resistência a abrasão, tornando o seu desbaste bem mais difícil do que o do 5160. Também a sua dureza é bastante maior a do 5160, fazendo com que o forjamento necessite de temperaturas maiores. Porém, sua retenção de fio é assombrosa! A resistência a corrosão neste aço também é digna de nota, pois com seus quase 11% de cromo na liga, é quase considerado um aço inoxidável.
O 1095, utilizado principalmente em limas de alta qualidade, é bem mais fácil de se trabalhar que o 52100, mas ainda bem mais "temperamental" que o 5160. Devido a alta concentração de carbono (0,95%), possui uma retenção de fio fabulosa. Mas em compensação... Como oxida!
Um outro dia eu vou escrever sobre os diversos tratamentos térmicos utilizados nos aços. São processos muito interessantes.
Até a próxima!
Os aços se dividem basicamente em 3 grandes grupos: austeníticos, ferríticos e martensíticos.
Austeníticos: sua principal característica é a grande concentração de níquel na liga, o que lhes confere a característica de serem amagnéticos (não são atraídos por imãs). Apresentam uma grande resistência à corrosão e são o tipo de aço mais utilizado nos dias de hoje, principalmente nas áreas alimentares e médicas. Não são temperáveis, sendo seu endurecimento conseguido apenas por encruamento (compactação do material). Em cutelaria podem ser utilizados em guardas e pomos, porém o seu uso em lâminas não é aconselhado devido a baixa dureza. Mesmo assim, podem ser encontrados em talheres de baixa qualidade. O mais popular destes aços é o AISI 304 (18%Cr-8%Ni).
Ferríticos: são essencialmente ligas de ferro e cromo. Sua resistência a corrosão é inferior a dos austeníticos, porém devido ao fato de não possuírem níquel na liga, são de produção bem mais barata. A sua ductibilidade (capacidade de se deformar) é bastante baixa, e por isto, na grande maioria das ligas é utilizado um teor de carbono muito baixo, buscando com isto aumentar um pouco esta ductibilidade. A porcentagem de carbono destes aços são normalmente inferiores 0,20%, o que não permite a criação de martensita durante tratamento térmico e, consequentemente, não permite que sejam temperados. Seus usos mais comuns são: depósitos para produtos corrosivos, utensílios de cozinha (não cortantes), componentes de fornos, etc.
Martensíticos: possuem em sua liga um percentual de carbono superior a 0,20%, e quando submetidos a tratamento térmico adequado formam martensita, um tipo de cristal de alta dureza. São os aços temperáveis (endurecíveis por choque térmico). São estes os aços utilizados em cutelaria.
Podemos dividir os aços de cutelaria (martensíticos) em duas categorias principais: ao carbono e inoxidáveis. Os inoxidáveis são aqueles que apresentam uma taxa de cromo na liga superior a 12%. Conheço muito pouco sobre estes aços, apenas que seu tratamento térmico é complexo demais para ser executado por um amador. Devido a isto, vou me concentrar nos aços "ao carbono".
Os aços "ao carbono", ou simplesmente "aços carbono", podem se apresentar tanto em ligas bastante simples, apenas de ferro e carbono com simples traços de outros elementos, quanto em ligas extremamente complexas, com diversos elementos exóticos que lhes conferem características específicas.
Uma tabela dos principais aços (fonte: Wikipédia):
SAE 1XXX – aço-Carbono
- SAE 10XX – aço-carbono simples (outros elementos em porcentagens desprezíveis, teor de Mn de no máximo 1,0%)
- SAE 11XX – aço-carbono com S (Enxofre)
- SAE 12XX – aço-Carbono com S e P (Fósforo)
- SAE 13XX – aço com 1,6% a 1,9% de Mn (Manganês) (aço-Manganês)
- SAE 14XX – aço-Carbono com 0,10% de Nb (Nióbio)
- SAE 15XX – aço-Carbono com teor de Mn de 1,0% a 1,65% (aço-Manganês)
SAE 2XXX – aço-Níquel
- SAE 23XX – aço com Ni entre 3,25% e 3,75%
- SAE 25XX – aço com Ni entre 4,75% e 5,25%
SAE 3XXX – aço-Níquel-Cromo
- SAE 31XX – aço com Ni entre 1,10% e 1,40% e com Cr entre 0,55% e 0,90%
- SAE 32XX – aço com Ni entre 1,50% e 2,00% e com Cr entre 0,90% e 1,25%
- SAE 33XX – aço com Ni entre 3,25% e 3,75% e com Cr entre 1,40% e 1,75%
- SAE 34XX – aço com Ni entre 2,75% e 3,25% e com Cr entre 0,60% e 0,95%
SAE 4XXX – aço-Molibdênio
- SAE 40XX – aço com Mo entre 0,20% e 0,30%
- SAE 41XX – aço com Mo entre 0,08% e 0,25% e com Cr entre 0,40% e 1,20%
- SAE 43XX – aço com Mo entre 0,20% e 0,30%, com Cr entre 0,40% e 0,90% e com Ni entre 1,65% e 2,00%
- SAE 46XX – aço com Mo entre 0,15% e 0,30%, com Ni entre 1,40% e 2,00%
- SAE 47XX – aço com Mo entre 0,30% e 0,40%, com Cr entre 0,35% e 0,55% e com Ni entre 0,90% e 1,20%
- SAE 48XX – aço com Mo entre 0,20% e 0,30%, com Ni entre 3,25% e 3,75%
SAE 5XXX – aço-Cromo
- SAE 51XX – aço com Cr entre 0,70% e 1,20%
SAE 6XXX – aço-Cromo-Vanádio
- SAE 61XX – aço com Cr entre 0,70% e 1,00% e com 0,10% de V
SAE 7XXX – aço-Cromo-Tungstênio
SAE 8XXX – aço-Níquel-Cromo-Molibdênio
- SAE 81XX – aço com Ni entre 0,20% e 0,40%, com Cr entre 0,30% e 0,55% e com Mo entre 0,08% e 0,15%
- SAE 86XX – aço com Ni entre 0,30% e 0,70%, com Cr entre 0,40% e 0,85% e com Mo entre 0,08% e 0,25%
- SAE 87XX – aço com Ni entre 0,40% e 0,70%, com Cr entre 0,40% e 0,60% e com Mo entre 0,20% e 0,30%
SAE 92XX – aço-Silício-Manganês
- SAE 92XX – aço com Si entre 1,80% e 2,20% e com Mn entre 0,70% e 1,00%
SAE 93XX, 94XX, 97XX e 98XX – aço-Níquel-Cromo-Molibdênio
- SAE 93XX – aço com Ni entre 3,00% e 3,50%, com Cr entre 1,00% e 1,40% e com Mo entre 0,08% e 0,15%
- SAE 94XX – aço com Ni entre 0,30% e 0,60%, com Cr entre 0,30% e 0,50% e com Mo entre 0,08% e 0,15%
- SAE 97XX – aço com Ni entre 0,40% e 0,70%, com Cr entre 0,10% e 0,25% e com Mo entre 0,15% e 0,25%
- SAE 98XX – aço com Ni entre 0,85% e 1,15%, com Cr entre 0,70% e 0,90% e com Mo entre 0,20% e 0,30%
Na cutelaria artesanal, os aços mais utilizados são os 1075, 1095, 5160, 52100, 15N20, VC131, entre vários outros. Eu utilizo principalmente o aço 52100, e em menor quantidade o 5160. Raramente me utilizo também do aço 1095.
O aço 5160 é considerado por muitos como o aço ideal para cuteleiros iniciantes. Tolera, até certo ponto, erros de temperatura (forjar com o aço muito frio ou muito quente); é bastante maleável mesmo com temperatura baixa; quando corretamente recozido é bastante fácil de desbastar; apresenta grande flexibilidade (a sua principal utilização é em molas de automóveis...); quando corretamente temperado apresenta uma retenção de fio muito boa; e o principal, é muito barato...
Já o 52100, cuja utilização principal na indústria é na fabricação de rolamentos, é um aço de grande resistência a abrasão, tornando o seu desbaste bem mais difícil do que o do 5160. Também a sua dureza é bastante maior a do 5160, fazendo com que o forjamento necessite de temperaturas maiores. Porém, sua retenção de fio é assombrosa! A resistência a corrosão neste aço também é digna de nota, pois com seus quase 11% de cromo na liga, é quase considerado um aço inoxidável.
O 1095, utilizado principalmente em limas de alta qualidade, é bem mais fácil de se trabalhar que o 52100, mas ainda bem mais "temperamental" que o 5160. Devido a alta concentração de carbono (0,95%), possui uma retenção de fio fabulosa. Mas em compensação... Como oxida!
Um outro dia eu vou escrever sobre os diversos tratamentos térmicos utilizados nos aços. São processos muito interessantes.
Até a próxima!
Uma faca para uma boa causa
Nos últimos tempos temos assistido a uma inversão de valores terrível. Os cidadãos honestos sendo desvalorizados enquanto os meliantes são protegidos. Basta lermos os diversos periódicos disponíveis para constatar esta realidade.
Uma das entidades que mais tem lutado para reverter esta triste realidade é o Movimento Viva Brasil (http://www.movimentovivabrasil.com.br/), que vem mostrando um trabalho excepcional na defesa dos direitos do cidadão de bem.
Para tentar contribuir, um pouco que seja, com esta nobre causa, a algum tempo atrás eu promovi uma rifa entre amigos. O objeto rifado foi uma faca que fiz especialmente para esta causa. 50% do valor arrecadado foi destinado ao MVB.
E este foi o processo de confecção da faca:
Forjei a lâmina a partir de uma barra redonda de aço 52100, com uma polegada e meia de diâmetro


Após o forjamento, passei para o desbaste, feito primeiramente em uma lixadeira e depois refinado manualmente com limas e lixas. Depois de pronta, fiz a têmpera seletiva (apenas a área do fio ficou endurecida)


O passo seguinte foi confeccionar a guarda, feita no mesmo aço do restante da lâmina. Só que esta foi feita só por desbaste, não forjei




Para a empunhadura eu escolhi a madeira Maple. Uma madeira de origem canadense, que depois de trabalhada tem uma aparência magnífica



Polimento da guarda, lâmina e empunhadura



Depois que a empunhadura já estava OK, eu fiz um tingimento, utilizando tinta de cor havana. A coloração ficou dourada, forte demais...


Montagem da faca




Polimento final. Consegui diminuir a tonalidade da empunhadura, deixando um tom de caramelo claro bem mais agradável




Resultado final

Uma das entidades que mais tem lutado para reverter esta triste realidade é o Movimento Viva Brasil (http://www.movimentovivabrasil.com.br/), que vem mostrando um trabalho excepcional na defesa dos direitos do cidadão de bem.
Para tentar contribuir, um pouco que seja, com esta nobre causa, a algum tempo atrás eu promovi uma rifa entre amigos. O objeto rifado foi uma faca que fiz especialmente para esta causa. 50% do valor arrecadado foi destinado ao MVB.
E este foi o processo de confecção da faca:
Forjei a lâmina a partir de uma barra redonda de aço 52100, com uma polegada e meia de diâmetro


Após o forjamento, passei para o desbaste, feito primeiramente em uma lixadeira e depois refinado manualmente com limas e lixas. Depois de pronta, fiz a têmpera seletiva (apenas a área do fio ficou endurecida)


O passo seguinte foi confeccionar a guarda, feita no mesmo aço do restante da lâmina. Só que esta foi feita só por desbaste, não forjei




Para a empunhadura eu escolhi a madeira Maple. Uma madeira de origem canadense, que depois de trabalhada tem uma aparência magnífica



Polimento da guarda, lâmina e empunhadura



Depois que a empunhadura já estava OK, eu fiz um tingimento, utilizando tinta de cor havana. A coloração ficou dourada, forte demais...


Montagem da faca




Polimento final. Consegui diminuir a tonalidade da empunhadura, deixando um tom de caramelo claro bem mais agradável




Resultado final

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